Como é a travessia de 5 dias pelos Lençóis Maranhenses

Você já se imaginou caminhando entre dunas branquinhas e lagoas cristalinas em um dos cenários mais incríveis do Brasil? Pois então, eu me imaginava e fazia tempo que queria realizar esse sonho. O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, no Maranhão, é simplesmente um espetáculo da natureza, e não é à toa que foi eleito o segundo parque mais bonito do mundo!

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Existem duas formas principais de explorar os Lençóis: em passeios de 4×4 saindo das três principais cidades base ou em uma travessia a pé, conhecida como trekking nos Lençóis Maranhenses. E é exatamente sobre essa segunda opção que eu vou contar aqui: como é fazer a travessia de 5 dias pelos Lençóis Maranhenses, uma das experiências mais lindas da minha vida.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

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O QUE É A TRAVESSIA DOS LENÇÓIS MARANHENSES

A travessia dos Lençóis Maranhenses é uma caminhada de vários dias por dentro do parque, entre dunas branquinhas e lagoas de água doce que parecem de outro mundo. Diferente dos passeios tradicionais de 4×4, aqui a gente vive o parque de um jeito totalmente imersivo, pé na areia mesmo.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Foram cerca de 5 dias caminhando com mochila leve, dormindo em vilarejos simples nos oásis no meio das dunas, como Baixa Grande, Queimada dos Britos, Patacas e Betânia.

Tudo é feito com um guia local, e as refeições são preparadas pelas próprias famílias da região, o que torna a experiência ainda mais especial. É uma experiência intensa, desafiadora, mas que te conecta com a natureza de um jeito que pouca coisa na vida consegue fazer.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão
  • ROTEIRO TOTAL: Ao todo foram 90km, sendo 20km de 4×4 e 70km caminhando.
  • DISTÂNCIA MÉDIA CAMINHADA POR DIA: 14km
  • DIFICULDADE: de moderada a alta
  • DORMIDA NOS OÁSIS: em redários, mas também com opções de cama
  • NECESSIDADE DE GUIA: SIM

RELATO 5 DIAS TRAVESSIA LENÇÓIS MARANHENSES

Nos 5 dias de travessia fizemos:

  • 1° DIA: Barreirinhas – Atins – Baixa Grande
  • 2° DIA: Baixa Grande – Queimada dos Britos
  • 3° DIA: Queimada dos Britos – Patacas
  • 4° DIA: Patacas – Betânia
  • 5° DIA: Betânia – Santo Amaro

PRIMEIRO DIA TRAVESSIA DOS LENÇÓIS ( 7km)

Parte 1: Barco + 4×4 até o ponto de partida

O primeiro dia da travessia pelos Lençóis Maranhenses começou ainda em Barreirinhas, por volta das 9h da manhã. Pegamos um barco que nos levou até a região de Vassouras, onde ficam os chamados pequenos lençóis. Mas como era alta temporada, o lugar estava lotado e acabamos não ficando muito tempo por lá.

Vassouras, Barreirinhas

Seguimos de barco até o povoado de Mandacaru, onde está o famoso farol com uma vista linda da região. Como eu já conhecia e também estava bem cheio, preferi ficar ali perto tomando um sorvete e aguardando as meninas.

O almoço foi na Praia dos Lençóis, onde comemos super bem e descansamos um pouco antes de seguir viagem.

Mandacaru, Barreirinhas

Depois, desembarcamos em Atins e seguimos de 4×4 por cerca de 20 km adentro do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. É sempre muito emocionante estar nesse lugar, seja de carro ou a pé, é surreal, parece cena de filme!

Atins, Maranhão

Parte 2: Início da caminhada

Começamos a caminhada no meio da tarde, com tempo nublado e bastante vento. Tivemos até que cobrir o rosto por conta da areia que batia direto.

Todo mundo estava mega animado e empolgado com o início da travessia! Éramos 7 no total, além do nosso guia local, Gabriel Lira. Fui com 6 amigas e tivemos a companhia do Arnoud, um francês super querido que se juntou com o nosso grupo.

Começando a Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Ao longo do trajeto, passamos pelas primeiras lagoas da travessia, lindas, calmas e cristalinas. Mas como o tempo estava mais fresco, acabamos não entrando em nenhuma.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Durante esse trecho inicial até o oásis de Baixa Grande, ainda encontramos bastante gente pelo caminho. Até achei que seria assim pelos 5 dias, mas foi só nesse primeiro dia que vimos mais gente.

Primeira noite no oásis de Baixa Grande

Chegamos no nosso primeiro oásis por volta das 17h30 e nos hospedamos na casa da Dona Dete, tia do nosso guia Gabriel. O lugar lembra uma pequena chácara, com galinhas, porcos e vários redários. Se não me engano, eram uns quatro redários grandes, cada um com várias redes. Também tinha um refeitório, mesa de sinuca e banheiros (alguns cobertos, outros a céu aberto).

Travessia dos Lençóis Maranhenses

A água para banho é fria e não há sinal de internet. Para dormir, cada pessoa recebe um lençol, sim, pode fazer frio à noite, então é bom estar preparado. Também tinha a opção de dormir em camas, pago a parte.

Baixa grande na casa da Dona Dete

Como o tempo não ajudou, não rolou pôr do sol nesse dia. Então aproveitamos para relaxar por ali mesmo, tomamos uma cerveja bem gelada (as bebidas não estão inclusas) e, depois do banho, fomos jantar.

Baixa grande na casa da Dona Dete

Aliás, antes mesmo de chegarmos no oásis, já tínhamos escolhido o jantar entre galinha caipira, peixe ou bife. A refeição vem bem completa: arroz, feijão, macarrão, salada e a proteína escolhida.

Nosso redário

Depois do jantar, ainda ficamos um tempinho conversando à mesa e, em seguida, fomos dormir. Dormi rápido e feito um anjo com cansaço bom do primeiro dia de travessia.

SEGUNDO DIA TRAVESSIA DOS LENÇÓIS (12km + 6km)

Acordamos super cedo, em torno das 3:30 da manhã. O céu ainda estava absurdamente estrelado, coisa mais linda. Às 4h30 tomamos o café da manhã e logo começamos a caminhada, ainda antes do nascer do sol.

Acordando antes do sol na casa da Dona Dete

Sair nesse horário é essencial: além de evitar o calor forte do meio-dia, o clima ainda está fresco e chega até a bater um friozinho no começo.

Mais ou menos meia hora de caminhada e o sol começa a dar sinal de que vai nascer e, obviamente, paramos e apreciamos esse momento. Ele veio bem tímido entre as nuvens e se escondeu novamente.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Conforme seguimos, cruzamos por lagoas perdidas na imensidão das dunas. Paramos, descansamos, rimos e continuamos. Ali pelas 7h o sol veio com tudo, mas por incrível que pareça não estava tão quente. Ainda.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

O primeiro mergulho da travessia vem, mas ainda não em uma lagoa, e sim no rio que cruza o parque. O Rio Negro, e esse sim estava gelado, mas não tinha como não mergulhar. Foi revigorante para continuarmos a caminhada.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Subimos dunas, descemos dunas, atravessamos pequenos riachos, vegetação e até áreas com plantas carnívoras!

Planta carnívora

Depois de cerca de 5 horas de caminhada, chegamos no segundo oásis da travessia: em Queimada dos Britos. E chegamos na hora certa, a areia já estava ficando quente demais.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

A parada em Queimada dos Britos foi no Seu Netão, um lugar pequeno, acolhedor, com apenas dois redários, um refeitório, banheiros (cobertas e ao ar livre). Eles também tinham bichinhos por lá como galinhas e porcos. O lugar era uma paz que só.

Na casa do Seu Netão em Queimada dos Britos

Como chegamos perto do almoço, aproveitamos para arrumar nossas coisas, tomar um banho (aproveitar o sol e o calor para tomar banho gelado) e já nos ajeitamos na mesa.

Mais uma vez escolhemos nossa proteína antes de chegarmos e dessa vez tinha a opção de camarão ao molho de coco (o que escolhi), acompanhado de arroz, feijão, macarrão e salada. Comemos tudo. Sim. TUDO. Parecia que agente nunca tinha visto comida de tanta fome!

A cara branca de protetor

Depois do almoço, uma sonequinha nas redes foi praticamente obrigatória. Mais tarde, rolou aquele clássico café com bolacha Maria. Já comentei que eu amo isso? Interior, calor e cafezinho pós o sono da tarde.

Hora da sesta

Por volta das 16h, saímos para uma caminhada de 6 km, dessa vez mais leve, sem mochila. Caminhamos até uma lagoa maravilhosa, onde finalmente rolou aquele mergulho tão esperado. Foi simplesmente sensacional.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Ficamos até o por do sol, quando subimos em uma duna e apreciamos o espetáculo. Na volta, voltamos cantando e dançando enquanto escurecia. Pegamos a noite no meio do caminho e as estrelas no céu aparecendo com tudo. Foi lindo!

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão
Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Quando voltamos, o jantar já estava pronto (mesmo cardápio do almoço) e, claro, devoramos mais uma vez. Naquela noite, só tinha o nosso grupo e mais três pessoas no oásis, o que deixou o lugar bem mais tranquilo.

Depois do jantar, era hora de descansar. Mais uma noite dormindo em rede, cercados pela imensidão dos Lençóis.

TERCEIRO DIA TRAVESSIA DOS LENÇÓIS (11km + 8km)

Mais um dia começando antes das 4h da manhã. Tomamos o café da manhã por volta das 4h30, bem completo como nos dias anteriores: ovos mexidos, frutas, tapioca ou pão e café quentinho. Depois de escovar os dentes, passar protetor solar e organizar as mochilas, partimos novamente com o céu ainda escuro.

Dessa vez o sol não se intimidou e nasceu lindíssimo uns 40 minutos depois que saímos. Foi um espetáculo!

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Seguimos subindo e descendo dunas e a paisagem impressionando. Quem vê as fotos e vídeos até parece que a paisagem é toda igual, mas não é.

A cada passo, um novo visual, lagoas de cores diferentes, o som do vento, a presença de pássaros, vacas, cabras, peixes. Uma natureza viva e selvagem. A areia forma pequenas ondas, o vento sopra as as lagoas e o sol vai aquecendo a nossa a pele. E aí a panturrilha começa a dar sinais de que está mais viva do que nunca: é um mix de sensações.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

E no terceiro dia de travessia, o corpo começa a sentir. Panturrilhas ardendo, tornozelos doendo, costas pesando e até bolhas nos pés começaram a aparecer (no da minha amiga, inclusive, uma bolhinha virou quase um gremlin). A verdade é que a gente começa a sentir mais o peso da travessia.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Porém nada que uma descida nas dunas e um banho delicioso nas lagoas não curem. Depois do mergulho demorado, passamos protetor novamente, anti-atrito (para as coxas não assarem) e continuamos a caminhar.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão
Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Depois de 4h30 caminhando, foi quando a vegetação começou a aparecer: sinal de que estamos chegando no oásis. Avistamos lá do alto o oásis de Patacas, e, sempre que isso acontecia, ficávamos empolgados por estarmos chegando.

Chegando em Patacas

No oásis de Patacas, ficamos na casa da Dona Aurinha, um dos lugares mais gostosos de toda a travessia. Tinha bastante verde, com grama e árvores ao redor e um cachorro super fofo.

Tinham três redários, mas só o nosso grupo estava hospedado lá. Nessa parada não tinha a opção de camas, então a noite foi de rede para todo mundo.

Casa de Dona Aurinha
Redário

Assim que chegamos, já pedimos uma cerveja bem gelada. Eu, que só costumo tomar depois das caminhadas, não resisti. Tomamos nossa cervejinha, tomei um banho e logo depois já veio o almoço.

Escolhi de novo o camarão com leite de coco, porque era bom demais. Os acompanhamentos eram todos os mesmos dos dias anteriores, e minha gente, a gente come nessa travessia viu?

Almoço na Dona Aurinha

Óbvio que depois do almoço, era hora da sesta. Soninho bom na rede para acordarmos depois com um cafezinho. Eu me adaptaria facilmente com essa rotina.

No final da tarde, partimos para mais um por do sol, dessa vez com um bônus: uma travessia de barquinho no meio do caminho. Foram mais 8 km de caminhada leve (sem mochila), até chegarmos na maior lagoa de toda a travessia. Estava cheia de gente, mas como era bem grande, conseguimos um cantinho tranquilo só nosso.

Patacas, Maranhão
Patacas, Maranhão

Ficamos ali, curtindo o banho até o sol começar a cair. Subimos em uma das dunas e assistimos mais um espetáculo da natureza.

Patacas, Maranhão

Na volta, o jantar já estava pronto, o mesmo do almoço, e mais uma vez delicioso. Depois, a Dona Aurinha ainda deu uma força pra cuidar da bolha no pé da minha amiga: passou duas linhas em cruz pra ajudar o líquido a sair. Um cuidado simples, mas com muito carinho. Um pouco mais tarde me joguei na rede e capotei.

QUARTO DIA TRAVESSIA DOS LENÇÓIS (12k + 6km)

Mais um dia que começou no escuro, com o céu ainda coberto de estrelas. O café da manhã foi servido por volta das 4h30 e, por volta das 5h30, já estávamos com os pés na areia, prontos para mais uma jornada nos Lençóis Maranhenses.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Logo no início, atravessamos alguns pequenos lagos, que refletiam o céu da manhã e deixavam a paisagem ainda mais linda. E mais um nascer do sol incrível pra conta.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Esse foi um dos trechos mais longos da travessia: 12 km de caminhada e vimos casco de tartaruga, muitos galhos secos durante o caminho, teve descida de bunda pelas dunas e também uma travessia por uma das lagoas onde tivemos que carregar nossas mochilas na cabeça para não molhar.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

E teve também um quase ataque de um pássaro que estava com um ninho perto de onde estávamos passando. Foi emoção pura!

Fizemos uma pausa estratégica na lagoa que havíamos atravessado. Ali, conseguimos a única sombra de toda a caminhada, onde descansamos e mergulhamos na água gelada. A paz desse lugar não tem como explicar.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Dali, a próxima parada já estava pertinho: nosso último oásis.

Para chegar em Betânia, passamos por um trecho com cores bem diferentes do que estávamos acostumados. A areia e a água tinham um tom mais achocolatado, o que deixava a paisagem ainda mais incrível.

Chegando em Betânia

A nossa hospedagem aqui foi na casa do Seu Caribo, o lugar mais movimentado de toda a travessia. Tinham muitos redários, vários banheiros, restaurante, bar e até opção de massagem. Apesar de cheio, organizaram tudo com carinho e colocaram nosso grupo pertinho.

E óbvio que assim que chegamos, fomos direto pedir nossa cerveja bem gelada. Dessa vez, escolhemos a Maranhense Magnífica. Algumas meninas ainda pediram caipirinhas, que estavam uma delícia.

Betânia, Lençóis Maranhenses

O almoço veio em seguida e, depois, curtimos os redários que ficavam na água, um dos detalhes mais especiais desse oásis. Simplesmente perfeito.

Betânia, Lençóis Maranhenses

No fim da tarde, fizemos nossa última caminhada para ver o por do sol. A vista de Betânia (uma vila pequenininha e charmosa) foi o cenário ideal para esse encerramento. Ficamos ali, entre conversas e fotos, aproveitando até o último raio de sol daquele dia.

Betânia, Lençóis Maranhenses

Depois foi hora de jantar e dormir, com o coração cheio de gratidão e aquela mistura de cansaço e realização no corpo.

QUINTO DIA TRAVESSIA DOS LENÇÓIS (10km)

No nosso último dia de caminhada, acordamos um pouco mais tarde, sem pressa, com mais calma, aproveitando os últimos momentos. O sol já tinha nascido quando saímos e seguimos de barquinho por um trecho curto até o ponto de partida da nossa última aventura a pé.

Céu nos Lençóis

Logo no início do trajeto, já dava pra ver as marcas dos quadriciclos na areia. Às vezes, são os próprios moradores da região levando mantimentos para os oásis, o que é comum e necessário por ali.

Manhã cedo em Betânia

Nesse último dia, aproveitamos para fazer tudo com mais calma, curtindo cada detalhe dos momentos finais da travessia. Passamos por uma lagoa gigante, mas que já estava cheia de turistas (sinal claro de que estávamos nos aproximando da civilização). Então decidimos seguir um pouco mais, em busca de um cantinho mais sossegado. E encontramos!

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Ficamos ali por um bom tempo: mergulhando, subindo e descendo dunas, correndo até a água, gravando vídeos e, principalmente, nos despedindo daquele cenário único que marcou tanto a gente nesses cinco dias. Foi lindo e emocionante.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Enfim, chegamos em Santo Amaro, marcando o fim oficial da travessia. E foi impossível não sentir o choque do contraste. Depois de dias caminhando por paisagens intocadas, veio aquele impacto: o mundo real estava de volta.

Chegando em Santo Amaro

Vocês não têm ideia da quantidade de 4×4 enfileirados na entrada do parque. Sério, arrisco a dizer que tinham mais de 100 veículos esperando para levar turistas pelas dunas. Foi o sinal claro de que voltamos à civilização.

Fileira de 4×4 para entrar no parque

Seguimos a pé até o restaurante onde almoçamos e também tomamos nosso tão esperado banho antes de pegar a estrada de volta para São Luís. Corpo cansado, alma leve e coração transbordando.

INFORMAÇÕES IMPORTANTES

  • Natureza selvagem: Se você está esperando algo parecido com os passeios de 4×4, já pode esquecer. A travessia dos Lençóis Maranhenses é uma experiência profunda, rústica e totalmente imersiva na natureza. Nada de conforto, tudo de conexão.
  • Transfer São Luis: A ida de São Luis até Barreirinhas não estava incluso no nosso pacote (organizamos por conta própria), já a volta de Santo Amaro para São Luis voltamos em um mini ônibus e já estava incluso.
  • Sem sinal de telefone e internet: não espere ter sinal de internet nem durante a caminhada e nem nos oasis. A internet é escassa, então aproveite para curtir mais a conexão com a natureza.
  • Levar dinheiro: leve dinheiro, como mencionei a cima, a internet é escassa, então maquininha de cartão não funciona direito.
  • Mochila: Leve uma mochila de no máximo 30 litros, com barrigueira (fecho na cintura). Isso ajuda a distribuir o peso e poupar sua coluna durante as longas caminhadas.
  • O que levar: lembre que você vai ter que carregar tudo o que levar. Eu levei: 3 lycras com UVB, 2 shorts de tecido fácil de secar, biquínis, calcinhas, uma calça e lycra para dormir (faz friozinho a noite), 2 toalhas microfibra, protetor solar, creme anti-atrito para não assar as coxas, óculos escuros, chapéu que protege a nuca, um par de meias (que não usei), shampoo, condiconador e sabonete líquido em frascos pequenos, carregador portátil, beliscos para comer durante o caminho.
  • Precisa levar muita água? Não. Nos oásis sempre tem água disponível para comprar, então não precisa carregar grandes quantidades durante a trilha.
  • Caminhar descalço? Você pode caminhar descalço, de meia (que não seja de algodão), com crocs ou sapatilhas aquáticas. Eu fui descalça, mas já estou acostumada. Uma amiga tentou e acabou com uma bolha gigante na sola do pé. Então, pense bem antes de se aventurar descalço.
  • Refeições: O combo é sempre o mesmo: arroz, macarrão, feijão e salada. A proteína muda de um oásis para outro e é escolhida com antecedência (o guia sempre pergunta). Se tiver alguma restrição alimentar, avise o guia antes da travessia.
  • Temperatura das lagoas: A água das lagoas é doce e normalmente na temperatura ambiente. Às vezes pode estar um pouco mais geladinha, mas nada congelante. E a maioria das lagoas não é funda, então dá pra aproveitar numa boa.

VALE A PENA FAZER A TRAVESSIA DOS LENÇÓIS MARANHENSES?

Se você é uma pessoa aventureira, que gosta na natureza, que não se importa de passar alguns perrengues, não tem problema com o simples nem de carregar o que vai levar nas costas, se joga. Porque essa é uma experiência única no planeta, já que só existe aqui no Brasil.

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Eu garanto que vai ser inesquecível. Você vai ter contato com uma natureza selvagem, vai ver o céu mais estrelado da vida, vai comer comidas deliciosas, vai conhecer pessoas incríveis, vai refletir bastante e no final vai ter uma gratidão gigante pela vida. Só vai!

Travessia dos Lençóis Maranhenses, Maranhão

Escrever este artigo foi como me transportar de volta para essa experiência que eu tanto quis ter. E o mais especial foi ter feito isso com pessoas especiais, pessoas com que eu posso conversar a hora que eu quiser para relembrar os momentos.

Eu amo viajar sozinha, mas ter com quem dividir memórias é ainda mais especial. Um agradecimento especial e gigante à minha amiga do coração Leidi, por aceitar dividir essa aventura comigo. E também à Ari, Vivi, Sili, Jheni e Arnoud, muito obrigada pela parceria, risos e roncos! Quero agradecer também ao Guia Gabriel Lira por toda paciência e cuidado conosco.

Galera mais que especial.

E você? Já fez essa travessia? Me conta aqui sua experiência!

Até a próxima!

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